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14/10/2013

SAÚDE - Há descaso do governo com a infância

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Eduardo Vaz, Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que o governo federal não prioriza o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças e critica a falta de investimento na área.

SAÚDE - Há descaso do governo com a infância

“Nós não estamos cuidando da Primeira Infância, que é onde tudo começa.”
Eduardo Vaz, Presidente SBP
(Foto Divulgação)

Curitiba sediou na semana passada o 36º Congresso Brasileiro de Pediatra para debater o direito da criança à cidadania. Em pauta, o artigo 227 da Constituição, que estabelece prioridade à infância, mas não é cumprido de uma maneira geral, de acordo com a classe.

Em entrevista ao Metro Jornal, o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo Vaz, criticou a falta de interesse do governo federal quando o assunto é a atenção às crianças e explicou a importância do pediatra no desenvolvimento e na formação delas.

Como o governo federal trata a questão da infância?

É claro que há um descaso. Há um projeto do governo federal que visa substituir o pediatra na atenção básica à infância por um profissional sem qualificação para atender as crianças. Isso está implantado em Curitiba e em vários outros locais. Tem locais em que a criança é acompanhada até pelo pessoal da enfermagem, só vai ao médico pediatra se esse profissional acha que a criança precisa ser avaliada.

Apesar de a gente ter diminuído a mortalidade infantil, o Brasil ainda tem uma taxa de 15.3 por mil nascimentos. Isso significa que morrem no país 45 mil crianças antes de completar um ano. Enquanto que em países desenvolvidos essa faixa vai de 3 a 5 por mil nascimentos. Então, a gente poderia aferir que no Brasil morrem pelo menos de 30 a 35 mil crianças que não precisariam morrer se elas tivessem o acompanhamento adequado.

Quais são as consequências para as crianças por não ter um acompanhamento pediátrico?

Se você não tiver um acompanhamento pediátrico para detectar tanto distúrbios do desenvolvimento, como distúrbios do comportamento, mais tarde essas crianças têm sequelas que você não consegue corrigir. A consequência disso é o déficit cognitivo, quer dizer, a criança tem dificuldade de aprender, e aí se olhar as estatísticas escolares delas você vê que tem um abandono de escola muito alto, você vê muito adulto jovem sem emprego porque eles são desqualificados para o mercado de trabalho. Até empregos mais simples têm dificuldade de ter, porque essas crianças não tiveram seu desenvolvimento físico e mental adequados.

Hoje, 15% das crianças têm um transtorno de comportamento ou doença mental e muitas dessas patologias são preveníveis na Primeira Infância.

Então hoje você está aumentando depressão em criança, está aumentando a agressividade. Tudo isso é consequência desse descaso dos nossos gestores pela infância.

Quais seriam as medidas essenciais para tentar combater esse descaso?

Nós estamos discutindo junto ao Congresso Nacional criar um Marco Legal da Primeira Infância. Com isso, a gente tenta chamar a atenção da sociedade de uma maneira geral e do próprio parlamento brasileiro para pressionar o Executivo. Infelizmente hoje nós estamos atravessando uma fase que o Executivo do governo federal resolveu dizer que nós, os médicos, somos os responsáveis por tudo que há de ruim na saúde pública, quando na realidade não existe investimento.

Nós começamos a trabalhar um projeto de lei que garantia 10% da receita bruta da União para saúde e o governo está batendo contra esse projeto. Quer dizer, para o ano que vem provavelmente nós não vamos ter recurso suficiente para ter saúde de qualidade para a população em geral, e as crianças é que vão sofrer mais.

Qual é a importância de defender a infância?

Quando você defende, em especial a Primeira Infância, você vai criar crianças mais saudáveis que vão ser adultos saudáveis, que vão poder entrar no mercado de trabalho e vão produzir e fazer com que o país cresça.

Se você não defender a infância, uma parte importante dessas crianças morre até os cinco anos de idade. E as que sobrevivem, quando entram na adolescência, não têm nem afetividade nem capacidade cognitiva para conseguir boa escola, bom emprego. Então, ficam na marginalidade, aumentando a criminalidade e sobrecarregando quem trabalha, a sociedade de uma maneira geral.

Lina Hamdar, Metro Curitiba

[Fonte: Metro Curitiba - 14/10/2013 - Edição nº 619, ano 3 - Pág. 04]

 

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Referências:   (links externos)
»  Metro Curitiba
»  SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria

 

 

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