• Cabeçalho Criança e adolescente

Projeto Casa Verde - Plano de Ação 2006

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DOS PINHAIS
SECRETARIA DE SAÚDE
SECRETARIA DE PROMOÇÃO SOCIAL

São José dos Pinhais - 2006
Rua Capitão Tobias Pereira da Cruz, 2.439 - Cep: 83005-050
Bairro São Pedro - São José dos Pinhais - Paraná - Fone: (41) 3382-1503

INTRODUÇÃO

Adolescência é uma fase transitória entre a infância e a idade adulta, considerando que vários autores descrevem o período como uma crise. E crise, pode ser entendida como uma fase perigosa da qual pode resultar algo benéfico ou algo pernicioso para a entidade que experimenta muitos adolescentes não estão habilitados a lidar coma dualidade de ter que, assumir papéis e responsabilidades adultas e ao mesmo tempo agir como criança, no curso desta crise elaborativa aparecem estados de angústia, crise de despersonalização, sintomas fóbicos, rituais mais ou menos passageiros e alterações no sistema corporal.

No transcurso deste momento nem sempre a família esta preparada para apoiar o adolescente nesta travessia, surge então o conflito, o jovem se contrapõe à e juntamente com a necessidade de estabelecer sua identidade, procura seus pares, jovens que como ele agrupam-se para se protegerem e evoluírem. Dependendo de sua base emocional pode associar-se a grupos não aceitos socialmente e no desejo de integrar-se ele imita comportamentos, atitudes e passa a utilizar substâncias ilegais e nocivas.

Por outro lado, as Instituições de Ensino, têm revelado muitos entraves e limitações, seus métodos são elaborados para uma clientela padronizada, que não questiona os métodos e submete-se a eles, parte desta clientela que não está apta a ser emoldurada pelo sistema, devido as suas dificuldades internas, então são colocados à margem, ficando o grau de aprendizagem muito aquém do esperado, assim esse jovem que apresenta problemas na família também não recebe apoio na Escola, necessita, portanto, de acompanhamento especializado.

Atentos a essas mudanças que ocorrem com os jovens e todas as conseqüências decorrentes, o Ministério Público na pessoa da Promotora de Justiça da Vara da Infância e da Juventude Dra. Clemen Silva L. P. B. Gomes, inicia um processo para a viabilização de um programa essencialmente preventivo que aborde o jovem em seu momento de crise quando encontra-se vulnerável às pressões internas e externas, objetivando ajuda-lo a evoluir com a crise e não sucumbir à ela. Assim foi elaborado um pré-projeto pela Professora Araci Asineli da Luz, da Universidade Federal do Paraná, que está norteador do presente projeto.

Sendo um programa amplo e de grande importância para a coletividade optou-se por realizar parcerias para executá-lo. As parcerias serão realizadas com vários órgãos públicos e privados. Porém a elaboração e a execução do projeto ficará a cargo do Ministério Público, da Secretária Municipal da Saúde e da Promoção Social de São José dos Pinhais.

Este projeto pretende estruturar um trabalho para orientar jovens e seus familiares, visando o desenvolvimento humano, a integração do indivíduo na sociedade como ser produtivo. Estruturado no Estatuto da Criança e do Adolescente, pretende assegurar os direitos já previstos a oportunizar o acesso aos recursos disponíveis na comunidade, visando assim formar cidadãos conscientes e solidários, para a co-responsabilidade social.

O propósito do projeto é o desenvolvimento psicológico e emocional desses jovens, possibilitando-lhes um melhor relacionamento familiar, orientando-os na sua busca, e escolha para uma profissão que vá de encontro com os seus ideais e realidade, que possa aumentar a sua auto-estima e proporcionar-lhes, futuramente, realização pessoal e profissional.

Assim será a Casa Verde que terá o trabalho articulado com a rede de serviços em prol da adolescência e da família, realizando a interface com as Secretárias do Município, visando fortalecer o vínculo do jovem com sua família e com sua comunidade.

Para isto está sendo estruturada uma equipe que está elaborando o presente projeto e o executará. É uma equipe multidisciplinar afinada com a proposta com a visão biopsicossocial com ênfase nos sistemas de valores que buscará a compreensão dos conflitos e processos internos oportunizando ao adolescente um período de liberdade do compromisso prematuro de assumir papéis e responsabilidades adultas, durante o qual possa elaborar a auto-definição pela experimentação, com o apoio devido e necessário.

JUSTIFICATIVA

O crescimento populacional acelerado de São José dos Pinhais trouxe também como conseqüência vários problemas psicossociais afetando sobre tudo as crianças e os adolescentes, visto os primeiros estarem desenvolvendo sua personalidade e outros estar numa fase de transição e construção como sujeito, da afirmação de sua identidade sexual, da introjeção de valores e princípios morais que o caracterizarão como individuo. Neste estágio de passagem, o adolescente tem como característica a impulsividade, a imprudência, a inconstância, a inconseqüência, o espírito de aventura, de liberdade e independência e, sobretudo, a curiosidade o que o torna vulnerável diante das ofertas de promessas e prazeres fascinantes, alivio imediato para as dificuldades, oferecidas pelo doce veneno, a ilusão das drogas.

Apesar de todo o processo tecnológico, a nossa era tem como marca a violência digna do homem primitivo, presente na família, nas ruas, nas escolas, nos esportes e instituições. Não é apenas a violência física, mas a falta de carinho, de amor, de negligência, a fome, a falta de escola, a falta de emprego, de moradia, de perspectivas de futuro, de objetivo de vida, de qualidade de vida, de saúde e principalmente de dignidade.

Diante do contexto atual de insegurança e violência em que se vive e considerando todos os fatores e intercorrências da adolescência e ainda a fragilidade das instituições e programas de atenção ao jovem é vital e urgente o desenvolvimento de projetos diferenciados com práticas preventivas e de promoção, levando em conta as necessidades e diferenças socioculturais do jovem, dentro de uma visão humanista que venha atendê-lo em todos os aspectos, onde os mesmo sintam-se oportunizados e atendidos de acordo com o seu processo de desenvolvimento humano.

A proposta da Casa Verde é oportunizar maior entrosamento entre os jovens, suas famílias e sociedade, buscando a elaboração de possíveis conflitos, melhor entendimento, compreensão e aceitação, através do fortalecimento destas famílias, seus laços e sua atuação na comunidade. Buscando ainda a inserção sadia e produtiva na sociedade, na Casa Verde haverá orientação profissional e encaminhamentos para a realização de cursos profissionalizantes, capazes de oferecer perspectivas de um futuro seguro e promissor.

A Casa Verde ao oferecer uma nova perspectiva ao jovem que se encontra em situação de risco, estará não só oportunizando uma vida digna a ele, mas também assegurará a comunidade uma convivência pacífica com estes jovens, pois no atual cenário o jovem aparece ora como vítima ora como algoz. Nosso objetivo é torná-lo útil a sociedade.

Associado a todos os fatores já mencionados há ainda um custo, pois o processo preventivo custa muito menos que o curativo. Quando permitimos que o jovem adoeça socialmente estamos negando a ele o direito a inclusão social, uma vida produtiva e digna estamos relegando-o a margem da sociedade, espaço o qual não existe lugar para a evolução, oportunidade ou esperança. Marginalizado o jovem custa muito para a sociedade, que tem que investir recursos para tentar recuperá-lo, são medidas caras e nem sempre eficazes.

Assim cada vez mais o processo vai tornando-se oneroso, não conseguindo recuperar o jovem, a sociedade tem que contê-lo, enclausurando-o em instituições penais e isso custa ao Estado cerca de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês por detento, ao passo que um programa preventivo custa em torno de R$ 400,00 (quatrocentos reais) mensais, por adolescente. Além do custo gerado por um criminoso, este é um ser humano que deixa de ser produtivo em uma sociedade. Desta forma este projeto é antes de tudo uma fonte de economia para o Município e está em consonância com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que regulamenta o uso racional e responsável dos recursos públicos.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL:

Atender de forma integral adolescentes de12 e21 anos que se encontram em crise deflagradas por fatores intrínsecos e extrínsecos, promovendo soluções participativas e compartilhadas com sua família, construindo vínculos afetivos, respeito mútuo, cooperação e aquisição gradativa de responsabilidades, levando-os a inserção social e propiciando um relacionamento saudável com a comunidade, principalmente com a Escola e o mundo do trabalho, para prevenção e aquisição de DST e HIV, vícios e uso de drogas lícitas e ilícitas, gravidez indesejável e delinqüência.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Fornecer aos adolescentes, alternativa de desenvolvimento saudável, afastando-os dos riscos das ruas;

  • Intervir antes que o ato infracional seja cometido;

  • Prevenir o uso e abuso de drogas e álcool;

  • Prevenir a ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada;

  • Avaliar e tratar distúrbios de aprendizagem;

  • Oferecer informações sobre sexualidade;

  • Interagir na comunidade para melhor inserção do jovem;

  • Oferecer reforço escolar, objetivando adequar o jovem na Escola;

  • Realizar prognóstico, diagnóstico e tratamento na área da saúde;

  • Manter prontuário com os dados clínicos dos adolescentes;

  • Fornecer métodos contraceptivos e preservativos;

  • Encaminhar e facilitar o acesso dos adolescentes aos diversos recursos disponíveis na comunidade;

  • Acolher através da escuta ativa e da empatia procurando conhecer as dificuldades e preocupações do individuo;

  • Refletir os sentimentos percebidos fazendo com que o jovem se perceba compreendido;

  • Estabelecer vínculo de confiança, respeito e consideração mútua, destruindo barreiras de comunicação e permitindo maior acesso ao diálogo aberto sem restrições;

  • Sensibilizar através de recursos técnicos, facilitando o rompimento de preconceitos;

  • Despertar a percepção da existência de valores de ordem superior como qualidades morais e espirituais dentro de cada pessoa, independente de raça, classe social, econômica, política, ou religião;

  • Informar e refletir sobre alternativas de mudança de comportamento e suas conseqüências positivas;

  • Promover a auto-estima através do auto conhecimento, incentivando a descoberta de habilidades e qualidades internas;

  • Trabalhar as diferenças individuais enfocando que é nas diversidades que se encontram a criatividade e a riqueza para as soluções de problemas;

  • Desenvolver novas estratégias de relacionamentos para resolver futuras dificuldades;

  • Trabalhar o jovem e a sua família, visando a promoção dos mesmos;

  • Buscar a capacidade de compreensão da história e do desenvolvimento da família e do grupo;

  • Favorecer a abordagem global do indivíduo procurando integrar o processo de pensar, sentir e agir;

  • Oportunizar um espaço de liberdade com tensão reduzida para melhor comunicação, mais autêntica, respeitando limites hierárquicos;

  • Possibilitar a exploração da capacidade do sistema em redistribuir ou resgatar comunicações e alianças;

  • Privilegiar a autonomia de cada um como indivíduo, no grupo e na família, colaborando para integração criativa e para ação de compartilhar e cooperar.

CRITÉRIO PARA ATENDIMENTO

  • Jovens de12 a 21 anos que apresentem dificuldades para elaborar as crises normais da adolescência;

  • Adolescentes em conflito com suas famílias, escola e comunidade;

  • Adolescentes oriundos de lares desestruturados;

  • Adolescentes que estejam em situação onde seus direitos e sua integridade física, moral e emocional, estejam ameaçados;

  • Adolescentes que estejam propensos a delinqüir, a usar drogas e praticar sexo desprotegido;

  • Adolescentes encaminhados pelo Ministério Público – Vara da Infância e Adolescência, pelo Conselho Tutelar e outros recursos da comunidade, desde que não sejam infratores;

  • Procura espontânea.

FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO

 


  

PLANO DE AÇÃO

O adolescente encaminhado ou que procure a Casa Verde, estando dentro dos critérios de atendimento, terá direito a todos os serviços por ela ofertados, porem será respeitada a sua opção.

Setor de Psicologia:

A abordagem será através de linhas psicológicas de terapia breve e familiar, serão realizadas análises, avaliação psicoemocional, atendimento psicoterapêutico individual e em grupo, encaminhamento para outros especialistas, quando necessário. O trabalho será desenvolvido nas oficinas lúdicas através de dinâmicas, para trabalhar com temas como: Valores e princípios éticos e morais, sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, AIDS, profissão construção de projeto de vida.

Para trabalhar o emocional, criando um clima descontraído e de confiança serão realizados exercício de sensibilização com técnica de alongamento e relaxamento. Propiciando a introspecção que leva o individuo ao conhecimento e a redefinição de valores e atitudes. Serão realizados grupos de orientação para os pais dos adolescentes que freqüentam a Casa Verde. Nestes grupos serão trabalhados o manejo dos pais com seus filhos a respeito de temas conflitantes, tais como; como sexualidade, uso e abuso de drogas, limites e liberdade com responsabilidade, valores, a vida acadêmica e profissional dos jovens. Nestes grupos também serão trabalhados a auto-estima destes pais, seus papéis na família e na comunidade.

Haverá também o atendimento familiar onde o adolescente será atendido juntamente com seus pais. Serão momentos de reflexão de ambas as partes, para que possam entrar em contato com as emoções e sentimentos do outro e avaliar a repercussão de suas atitudes e fala no outro.

Setor de Recepção:

O serviço de recepção dos adolescentes será realizado por um Educador Social e pelos jovens protagonistas, que são estagiários, adolescentes previamente selecionados e escolhidos na Casa Verde.

Tanto o Educador Social como os jovens Protagonistas terão a tarefa de receber o adolescente, apresentar a casa e a equipe, oferecer atividades, acompanhá-los em atividades de interesse do recém chegado.

O Educador Social realizará o cadastro do jovem e fará encaminhamento necessário para os profissionais da Casa Verde. Além disso, cotidianamente o Educador Social também acompanhará a realização de atividades com os adolescentes que freqüentam a Casa, tais como: Sessão de filmes, dinâmicas, grafite e pintura.

Setor de Serviço Social:

Serão realizados grupos de atendimento para os adolescentes e seus familiares. O Assistente Social deverá entrevistar o adolescente e sua família para poder intervir em suas dificuldades. Considerando a entrevista como um instrumento fundamental do método do Serviço Social e é, portanto uma ferramenta de investigação científica. Importante delimitar o alcance, definir os objetivos. Consulta não é sinônimo de entrevista e esta não é análise. A entrevista é aqui entendida como um momento de apresentação e tomada de alguns dados para definir a necessidade da intervenção na prestação de serviço.

De posse dessas informações o Assistente Social poderá focar sua ação. Para atendimento das necessidades serão criados grupos operativos e grupos terapêuticos.

O grupo operativo é entendido como uma equipe de trabalho com objetivos comuns. Através de atividades direcionadas, os participantes interagem ora como ouvintes ora como orador, colocando para o grupo suas angústias e conflitos.

No grupo operativo os problemas e conflitos são estudados e considerados pelo próprio grupo à medida que vão aparecendo, através do consenso soluções são propostas e à medida que o individuo adquire compreensão, coloca em práticas novos preceitos que nortearão sua vida.

O aprender apreendendo constitui a interação de um aprendizado mútuo e recíproco e só é obtido quando de incorpora sistematicamente uma relação dialética, onde o saber caminha em todas as direções, não existe um que ensina e outro que aprende, ao invés disso todos evoluem, considerando a história de vida e os conteúdos de cada um os resultados são percebidos e aplicados de forma singular.

Já nos grupos terapêuticos, o trabalho é evidenciar o caráter humano no manejo técnico cientifico nas situações presentes. A proposta é privilegiar o aqui e agora, observando o funcionamento grupal e subjetividade apresentada e a medida que se fizer necessário será questionado pelo coordenador, no caso o Assistente Social.

A terapia de grupo consiste no conhecimento aqui compreendido como ação transformadora, isto é, um vislumbre das possibilidades e peculiaridades do pensamento apresentado provocando o aprender com a experiência.

O grupo terapêutico também promove o desenvolvimento das relações interpessoais possibilitando a técnica do espelho, isto é, formação de modelos que os identificam.

O ato de falar, de ouvir, elaborar e pensar tem o poder de construção de uma nova realidade. Além de treinar o trabalho em conjunto, exercitar a convivência, fortalecer vínculos, lidar com o diferente e exercitar normas.

Setor Clínico:

O jovem recebido pelo setor médico encontrará um atendimento diferenciado daquele usual. Sua história de vida, relações e angústias terão importância relevante, toda informação trazida por ele será contextualizada e correlacionada com os outros problemas que possa ter. O exame e os dados clínicos não serão postos de lado, porém serão tratados como parte integrante de um sistema a ser reparado.

No consultório médico serão medidos e registrados: A estatura, o peso, a pressão arterial, estado de vacinas, doenças subjacentes, doenças familiares, situação familiar, situação escolar e econômica, uso de fumo e drogas, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmitidas, violência sexual ou familiar.

Para realização do diagnóstico serão negociadas com o sistema público de saúde, vagas preferenciais para realização de exames e outros encaminhamentos que se fizerem necessários.

Será realizado o diagnóstico e prescrito o tratamento, quando for o caso. Serão fornecidas informações sobre abuso de drogas, uso de tabaco e sexo desprotegido. Serão dispensados recursos contraceptivos e preservativos.

Setor de Pedagogia:

Haverá avaliação pedagógica para detectar o problema e sua causa. O adolescente que apresentar dificuldade de aprendizado devido à queima de etapas receberá em atendimento visando resgatar a etapa perdida e posteriormente será inserido num programa de reforço escolar para alcançar a turma compatível com sua faixa etária.

O jovem que apresentar outros distúrbios, tais como dislexia, déficit de concentração, e outros. Será tratado através de técnicas pedagógicas, para tanto este setor contará com oficinas de produção de textos de matemáticas, de artes e outras. O jovem que apresentar distúrbios escola r devido a problemas de relacionamento interpessoal será encaminhado ao setor de psicologia.

Acima de tudo este setor terá a responsabilidade de trabalhar a importância da educação formal para a inserção social. E ainda a integração da Escola com a Casa Verde,

Fazendo com que a primeira se envolva diretamente com seu aluno, responsabilizando-se por ele, acompanhando-o e participando ativamente dentro da Casa Verde, através de reuniões e até mesmo de modificações que podem ser inserida na Escola para que torne-se mais atraente para o jovem.

Setor de Coordenação:

Caberá ao Coordenador a supervisão de todas as atividades que acontecem junto a Casa. Juntamente com o Educador Social e os Jovens Protagonistas, o Coordenador poderá receber os jovens e seus familiares, realizando acolhimento e expondo a filosofia da Casa.

Visando um bom andamento de todas as atividades, o Coordenador ficará responsável de prover a Casa dos recursos necessários. Também poderá viabilizar passeios e atividades fora da Casa com os seus freqüentadores.

Objetivando diversificar as atividades, manterá contatos com outros órgãos para a realização de atividades na horta, no jardim e na cozinha realizando cursos de culinária. No jardim será implantado, junto com a Secretária de Meio Ambiente, uma trilha da vida, onde os jovens terão oportunidade de refletir sobre o meio ambiente e a ação do homem, é uma técnica de sensibilização que o jovem é vendado e conduzido por uma trila e estimulado a sentir o ambiente sem utilizar a visão.

Sendo a intenção atender o jovem integralmente, a Coordenação manterá contatos com os recursos da comunidade para negociar vagas preferenciais. Para o bom aproveitamento deste recurso, o Coordenador indicará um dos profissionais, (o mais envolvido com o jovem em questão) para acompanhar o desempenho do adolescente.

Semanalmente, será realizada, uma reunião, com toda a equipe da Casa para discutir os casos acontecidos na semana, cada profissional deverá expor sua impressão e as atividades propostas para cada jovem. Serão avaliadas em grupo a validade das intervenções e a evolução dos casos.

Também caberá ao Coordenador a fiscalização da freqüência e pontualidade dos profissionais que atuarem na Casa, sendo estas registradas em formulários próprios e encaminhadas para o departamento e secretárias dos respectivos funcionários.

Prontuários e registros devem ser mantidos na recepção, sob a guarda da Coordenação e do Educador Social.

Na Casa haverá uma sala para projeções de filmes e clipes, em que serão acompanhadas por um profissional, para que se possa realizar uma discussão sobre o tema visto. Neste mesmo espaço, acontecerá o momento de espiritualidade, onde profissionais da área serão convidados para realizar meditações com os jovens da Casa.

ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS

COMUNS A TODOS OS PROFISSIONAIS:

  • Assessorar os projetos preventivos implantados em Escolas e outros equipamentos da comunidade;

  • Participar de seminários;

  • Elaborar relatórios;

  • Participar de reuniões da equipe;

  • Participar das reuniões da categoria;

  • Participar em conselhos;

  • Acompanhar as atividades das oficinas, quando necessário;

  • Realizar encaminhamentos;

  • Manter registro de suas atividades e da evolução de cada jovem.

DO ASSISTENTE SOCIAL:

  • Realizar avaliação sócio-familiar;

  • Realizar visitas domiciliares.

  • Realizar entrevistas com os adolescentes e seus familiares;

  • Participar de grupos operativos;

  • Participar na elaboração e implantação de projetos preventivos;

  • Acompanhar os encaminhamentos de casos.

DO PSICÓLOGO:

  • Realizar atendimento psicoterapêutico individual e em grupo para os adolescentes e seus familiares;

  • Realizar análises e avaliações psicoemocional;

  • Orientar pais e adolescentes que freqüentam a Casa Verde;

  • Realizar atendimento do adolescente junto com seus pais;

  • Coordenar dinâmicas de grupo.

DO PEDAGOGO:

  • Coordenar as oficinas de produção de texto, de matemática, de artes e outras;

  • Manter de suas atividades na evolução de cada jovem;

  • Avaliar os aspectos pedagógicos dos adolescentes;

  • Propor técnicas para corrigir os distúrbios de aprendizagem;

  • Coordenar o reforço escolar;

  • Manter contato com as Escolas dos adolescentes que freqüentam a Casa Verde;

  • Estimular a participação destas Escolas na solução das dificuldades de seus alunos.

DO SETOR CLÍNICO:

  • Realizar entrevista para conhecer a história de vida do paciente;

  • Realizar exame clínico;

  • Realizar prognóstico, diagnóstico e prescrever tratamento;

  • Encaminhar o jovem para a realização de exames complementares;

  • Manter atualizado os prontuários;

  • Dispersar preservativos e outros métodos contraceptivos;

  • Orientar os adolescente quanto ao sexo seguro e a utilização de drogas e fumo;

  • Investigar a ocorrência de violência contra o adolescente.

DO COORDENADOR:

  • Supervisionar todas as atividades que acontecerem na Casa;

  • Coordenar as reuniões da equipe;

  • Primar pela estrutura física da Casa;

  • Prover a Casa do necessário para o seu funcionamento;

  • Manter contatos com equipamentos e recursos da comunidade privados ou públicos para o encaminhamento do jovem;

  • Zelar pela freqüência e pontualidade dos funcionários da Casa;

  • Negociar vagas preferenciais nos diversos equipamentos da comunidade;

  • Zelar pelos registros realizados pelos profissionais.

DO EDUCADOR SOCIAL:

  • Acolher os adolescentes, apresentar a Casa e a equipe;

  • Fazer cadastramento dos jovens;

  • Encaminhar os jovens e seus registros aos profissionais da Casa;

  • Orientar os adolescente quanto seus direitos e deveres;

  • Manter a harmonia do ambiente;

  • Comunicar à coordenação, quando situação inadequada;

  • Acompanhar os jovens nas atividades da Casa.

FUNCIONAMENTO DAS OFICINAS

Oficina de produção de texto:

O orientador estimula o adolescente a produzir alguma coisa. Um dos desafios, por exemplo, é escrever um livro, produzir músicas, artigos para jornal, criar novos sites para Internet. Para escrever um livro é preciso, primeiro, saber escrever. Depois, hoje, é preciso dominar a microinformática, para conseguir passar o que está na cabeça dele para dentro de um equipamento. Ele precisa saber navegar e pesquisar na Internet, enviar e receber informações, acessar a correção gramatical da máquina. E assim, ele vai exercitando as competências necessárias para desenvolver o que lhe foi proposto. Ele fica surpreso: disseram que ele não sabia escrever, ele foi reprovado em Português, como é que agora dizem que ele pode escrever um livro? E vai sendo mostrado que ele tem condições de fazer isso. Uma produção dele, que as pessoas, amigos, familiares vão compartilhar com ele. No final está prevista uma celebração da conquista da produção pessoal daqueles jovens, uma tarde de autógrafos, por exemplo. Isso lhes dará a recompensa, pelo trabalho realizado.

Esta Oficina será coordenada pela Pedagoga da Casa, os Orientadores que atuarão junto com os jovens, serão voluntários do Curso de Letras das Universidades e Faculdades.

A pedagoga terá a tarefa de articular com a comunidade para publicar os livros escritos, as músicas produzidas, artigos para jornal, sites criados, etc.

Oficina de Matemática e Ciências:

Esta Oficina tem como objetivo principal à formação de multiplicadores. Os jovens serão convidados a participar dela, para construir o conhecimento que deverá ser passado a outros, como exemplo, um adolescente que apresenta dificuldades em matemática, ele internalizará os conteúdos de forma lúdica, depois ele poderá repassar esse conhecimento em sua Escola, no contra turno, para aluno que estão em séries anteriores a dele. Com relação à Ciências a Oficina trabalhará temas como: DST e AIDS, abuso de drogas lícitas e ilícitas, sexualidade, gravidez indesejada, etc. Tanto o conteúdo como o material e do conhecimento, estes jovens serão convidados a realizar palestras, feira de ciências e outras atividades nas Escolas e outros equipamentos da comunidade.

A coordenação desta Oficina é de responsabilidade da Pedagoga e a orientação de estagiários de cursos de Matemática, Biologia e dos Educadores do setor de Educação Sanitária do Município.

Oficina de Horta e Jardim:

O jardim será todo modelado conforme interesse dos adolescentes, será selecionadas as flores e folhagens que serão plantadas. Haverá aulas sobre manejo das mudas, época de plantio, etc. No jardim frontal será construída uma trilha da vida, que utilizada para a sensibilização dos jovens, reflexão sobre a ação dos homens no meio ambiente.

Na horta serão plantados verduras, legumes, temperos e ervas aromáticas. Aqui também haverá repasse e construção de conhecimento sobre estas plantas, sementes e mudas.

No quintal da Casa também há algumas árvores frutíferas, que necessitam de cuidados.

O produto desta atividade poderá ser dividido entre os participantes, para levarem para suas casas, ou ainda poderá compor lanche servido na Casa. Isto dará a eles a recompensa pelo trabalho realizado.

O objetivo deste trabalho é levar o jovem a harmonizar-se com elementos da natureza, descarregar energias, entrar em contato consigo mesmo e com a ajuda do terapeuta, elaborar conteúdos psicológicos, refletir sobre a utilização racional dos recursos naturais, respeito à natureza, etc.

A orientação destas Oficinas será feita pelas Secretarias Municipais de Agricultura e do Meio Ambiente. A coordenação ficará sob a responsabilidade do psicólogo que as acompanhará e no momento oportuno trabalhará os conteúdos emocionais emergidos durante as atividades.

Oficina Preparatória para a Profissionalização:

Segundo Rafael Sanches Neto, diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Senac, no Rio de Janeiro: "grande parte dos problemas de um profissional deriva não da falha em seu conhecimento técnico, mas da falta de compressão da realidade, do contexto em que vive, de suas condições pessoais para se tornar um bom profissional". Assim é preciso oferecer ao adolescente, condições de ele se compreender como pessoa, de compreender sua maneira de se relacionar com o mundo, suas carências individuais, sua saúde, seus limites pessoais, sua história, sua genética, as bases de sua educação na primeira infância. Ao mesmo tempo, ele precisa posicionar-se como cidadão, sentir que é capaz de transformar a realidade. Constantemente, será realizada a orientação vocacional para oferecer ao jovem a possibilidade de estar se preparando para exercer suas funções profissionais, dentro uma escolha adequada ao seu perfil. Além dos testes projetivos e de escolha profissional, também será oferecido palestras com profissionais de várias áreas, visitas à empresa e diversos locais de trabalho.

Serão viabilizadas vagas em cursos profissionalizantes que houver na comunidade: Senac, Senai, Centro de Desenvolvimento Humano da Secretaria de Promoção Social.

Haverá contato com a Agencia do Trabalhador e com empresas da região para viabilizar colocação profissional, tanto para os jovens da Casa, como também, para seus pais, caso necessitem.

A coordenação desta Oficina ficará a cargo do Assistente Social que providenciará os cursos, fará os encaminhamentos, contará com as empresas para visitas e possíveis vagas. A orientação vocacional e o preparo para o mercado de trabalho serão de responsabilidade do psicólogo.

Outras oficinas:

A Casa poderá oferecer outras oficinas: dança, música, grafite, teatro, conforme o desejo dos freqüentadores. Existe uma boa estrutura dentro do Município, tem uma ótima escola de dança, que realiza apresentações internacionais. Tem excelente escola de teatro e banda. Estes são recursos que podem ser aproveitados, encaminhando o adolescente, fazendo com que fique inserido na comunidade e seja independente da Casa. Também há ótima estrutura municipal para práticas esportivas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASINELI DA LUZ, A; GUIRAUD, F. L. M Anteprojeto Casa Verde São José dos Pinhais, 2005.

ABERASTURY, A; KNOBEL, M. Adolescência normal. Porto Alegre. Artes Médicas, 1980.

BION, W. R. Elementos de Psicoanálise, Bueno Aires. Hormé, 1992.

CAMPOS, D.M.S. Psicologia da Adolescência. Petrópolis. Vozes, 1980.

CARVAJAL, G. Torna-se adolescente, Editora Cortez, 2001.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, BRASIL, 1989.

LEVISKI, D. L. Adolescência e violência. Porto Alegre. Artes Médicas, 1997.

MEC – PRONAICA. Primeiro Caderno de Diretrizes para uma Política Educacional de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas. Série Educação Preventiva Integral, DF.

PALMA, A.M.C., POLLI, R. de F., SOUZA, Z.L. Entre Jogos e Brinquedos: A Formação de Redes Sociais. UNIANDRADE, 2000.

UNDCAP; MORALES, J.M.M. O avanço do Brasil nas Questões Relativas às Drogas. www.aids.gov.br.

 

Matérias relacionadas: (links internos)
»  Boas Práticas (Índice)
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Referências:   (links externos)
»   Prefeitura de São José dos Pinhais

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